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‘Algo me martela lá dentro do coração e preciso colocar para fora’

Cantora já teve medo do machismo no rap, mas hoje sente que encontrou o seu espaço e o seu local de expressão

Reportagem: Iolanda Paz e Leo Souza / Vídeo: Leo Souza / Design: Bruno Ponceano

16 de october de 2020 | 00h53

Como nasce um som? O processo de criação de um som é uma espécie de impulso irrecusável que sai do fundo do coração ou que derruba as barreiras da zona de conforto. A inspiração pode vir carregada de lembranças e vivências passadas ou em forma de um despertar para questões presentes e futuras. E é assim, de formas tão diferentes, que o som nasce para esses cinco jovens músicos: Leticia Sky, Diogo Emanuel Batista dos Santos, A dupla 2DE1 e Digão di Souza. Conheça suas histórias, seus processos criativos, suas inspirações e suas músicas.


Letícia Sky teve o interesse pela música despertado aos 5 anos, ao ver o pai e outras pessoas tocando em sua igreja. Na época, a menina espoleta quis estudar bateria. Aos 12, foi a vez do teclado. Desde então, se tornou cada vez mais nítido para ela que seu sonho era cantar e produzir música. Particularmente, o rap. Letícia, no entanto, teve medo de entrar na cena do rap, tão masculina que as mulheres tinham pouca ou nenhuma visibilidade.

Hoje, ela sente que foi abraçada pelo gênero. “Percebi que o rap está aqui para nos expressarmos, crescermos e criarmos nossas canções”, conta a cantora.

TV Estadão

LETÍCIA SKY

Na entrevista abaixo, ela fala mais sobre quanto a cena do rap mudou nos últimos tempos, principalmente para as mulheres, quais suas influências na hora de compor e qual foi o impacto da pandemia do novo coronavírus em seus planos artísticos.

‘O rap foi o gênero que me abraçou de verdade’Leo Souza
‘O que faz o artista ser artista de fato é esse momento de estar no palco’Leo Souza

Como nasce seu som?

A minha música, para nascer, demora em média uns 15 dias. Quando ela surge de verdade, vem primeiro uma ideia sobre algum tema. Vou só pensando no que eu quero fazer. Só depois que a ideia está formada na minha cabeça é que consigo colocar no papel. Demora, mas é porque eu não gosto de fazer nada de qualquer jeito. Ou, às vezes, sinto algo que está me martelando lá dentro do meu coração e preciso colocar para fora. De repente, já tem umas quatro ou cinco linhas. Percebo que dá uma música, ou um poema, e continuo escrevendo. Quando vou ver, nasceu uma música.


Antigamente, as mulheres não tinham tanta visibilidade no rap e no trap. Hoje, mais meninas estão chegando com peso e há uma visibilidade um pouco maior.

Letícia Sky

Quais são suas influências musicais?

Eu escuto muito a Cynthia Luz, porque ela canta músicas mais transcendentais, ao mesmo tempo em que traz uma visão mais periférica sobre a sociedade em que vivemos. Eu gosto muito dela por causa disso. Gosto muito do Froid, sou apaixonada pelo Djonga. São caras que eu acho muito bons. Sou apaixonada pelo Matuê também. Das referências internacionais, eu escuto Beyoncé, Jorja Smith, Kendrick Lamar e Cardi B. Sou apaixonada pela Cardi B, meu sonho é fazer um feat com ela.


Sendo mulher, como foi para você se envolver na cena do rap/trap?

Antigamente, as mulheres não tinham tanta visibilidade no rap e no trap (um subgênero do rap). Hoje, mais meninas estão chegando com peso e há uma visibilidade um pouco maior. Antes, era muito difícil tanto porque as mulheres tinham receio de poder mostrar o corpo quanto pelas músicas. Algumas letras depravavam o corpo da mulher. Eu, como cantora, sentia um pouco de medo de entrar nessa cena. Achei que teria mais dificuldade, mas foi totalmente diferente. Percebi que o rap está aqui para nos expressarmos, crescermos e criarmos nossas canções. O rap foi o gênero que me abraçou de verdade.


Qual foi o impacto da pandemia na sua música?

Antes da pandemia, eu estava produzindo meu álbum, chamado Admirável Mundo Novo. Só que a pandemia e outras questões dificultaram que eu desse continuidade a esse trabalho. Ainda vou soltá-lo, queremos soltar todas as músicas com clipe. Quando puder, quero fazer uma apresentação de lançamento. Estou com muita vontade de fazer show de novo. A pandemia atrapalhou muito essa questão de poder divulgar nosso trabalho com shows. O que faz o artista ser artista de fato é esse momento de estar no palco e poder mostrar sua música para o público. Ver todo mundo cantando junto com você e sentir aquela energia. É fantástico. Essa pandemia me barrou disso, é o que estou sentindo mais falta. Mas, por outro lado, pude me expandir em outros estilos, estou estudando outras coisas.


Expediente

Reportagem Iolanda Paz / Fotografia Leo Souza / Editora de Conteúdos Premium Ana Carolina Sacoman / Editora de Inovação Carla Miranda / Coordenador de Produção Multimídia Everton Oliveira / Edição de Vídeos Leo Souza / Editor executivo multimídia Fabio Sales / Editora de infografia multimídia Regina Elisabeth Silva / Editores assistentes multimídia Adriano Araujo, Carlos Marin, Glauco Lara e William Marioto / Designers multimídia Mariana Cunha e Bruno Ponceano

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