Todo assunto é também assunto de mulher

Antes de o projeto Capitu tomar forma, surgiu a ideia de falar de mulheres. De mostrar a luta pela igualdade de oportunidades, seja na carreira ou no dia a dia. De refletir o assombro a cada novo caso de feminicídio, tragédia com roteiro previsível e, por isso mesmo, tão evitável.

Os assuntos não paravam de vir à tona, num ano em que casos de assédios foram expostos como nunca. Nas ruas, em ônibus, nas empresas, em Hollywood. Num ano em que as mulheres se uniram no movimento #MeToo, acompanhadas também por muitos homens. O mundo precisa de mais #ElesPorElas.

Dois mil e dezoito será lembrado pela votação feminina recorde para o novo Congresso Nacional. Desde já, fica a esperança de que, unidas, deputadas e senadoras usem seu poder em prol do País.

Capitu começava a ganhar corpo. Mas corpo de mulher não é linha reta – e todos os assuntos são assuntos de mulher. Política, economia, segurança: parte do caminho havia sido definida. Só que ainda faltava. Temos no horizonte a perspectiva de uma Olimpíada que promete ser a mais feminina de todos os tempos. Assim como temos antigos e atuais desafios da maternidade para discutir.

Também queríamos falar de música, de dança e de livros. A começar, claro, por Dom Casmurro. Não tínhamos como evitar, muito embora a Capitu que deu nome ao projeto não tenha surgido da imaginação de Machado de Assis. Foi de carne e osso, uma das primeiras jornalistas profissionais do País.

O Capitu que vai ao ar neste 11 de dezembro de 2018 tem o compromisso de destacar vozes femininas em política, economia, artes e esportes. Porque só o diálogo entre mulheres e homens é capaz de lidar com a complexidade que nos cerca. Queremos muitas vozes. E outros olhares.